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segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Em destaque: Empresas buscam novos indicadores para medir as emissões na produção

Nas negociações internacionais sobre mudança do clima costuma-se lembrar que é impossível cortar emissões de gases-estufa se não se sabe como medi-las. Um dos grandes debates entre os países é estabelecer os mesmos padrões de medição, para tornar as emissões comparáveis e poder fiscalizar, uns aos outros, os cortes prometidos.

O professor Jacques Marcovitch, da pós-graduação do Departamento de Administração da Faculdade de Economia (FEA) da Universidade de São Paulo, está trazendo esse tema para o setor empresarial brasileiro. "Está na hora de deixarmos de ficar só na retórica da sustentabilidade e passarmos para a métrica", diz. "Queremos oferecer alguns indicadores que sirvam de base para essa discussão." Na visão de Marcovitch, as métricas da sustentabilidade empresarial devem levar em conta seis parâmetros na fabricação de qualquer produto.

A produção sustentável de um carro, de um eletrodoméstico ou de um rolo de papel toalha terá que mostrar qual foi a redução do consumo de energia por unidade produzida, o corte nas emissões de gases-estufa, a diminuição no consumo de água e a redução de dejetos. Os outros dois pontos são o aumento do número de patentes por 100 mil habitantes e o aumento da cobertura florestal por unidade. Marcovitch explica: "A unidade se refere a uma unidade de produção de uma empresa, ou seja, um produto". Também há relação com a evolução do Produto Interno Bruto (PIB) de um Estado ou país. Não é só isso. "Para que o Brasil possa influenciar a agenda ambiental mundial ele deverá dar um salto na inovação tecnológica", diz o professor. "O fato de ter cobertura vegetal e riquezas naturais não vai nos garantir ser um país importante neste século, se não tivermos um diferencial significativo na inovação tecnológica." Nesse quesito, o Brasil vem perdendo para a China, a Índia e a África do Sul, entre outros.

A inovação tecnológica, somada à atenção ao consumo de recursos naturais, tem sido um fator importante na redução de gases-estufa e o Brasil tem bons exemplos disso. "Hoje sabemos quanto de energia consumimos ao mês. O que pretendemos é fazer com que os consumidores saibam quanto gastam por dia, qual o consumo de cada equipamento ou quais são as horas de pico energético de consumo da família", diz Odair Marcondes, sócio-fundador da brasileira CAS Tecnologia, empresa que trabalha com sistemas de eficiência energética e redes inteligentes. Marcondes lembra que conhecer o consumo é o primeiro passo para a redução. A CAS também trabalha com medidores individuais de água para condomínios. "Quando cada morador do prédio passa a conhecer seu consumo de água, a conta cai de 20% a 30%".

Ontem, na FEA, foram apresentados casos de tecnologias verdes desenvolvidas no Brasil e analisados por estudantes da pós-graduação da disciplina "Estratégias Empresariais e Mudanças Climáticas", ministrada por Marcovitch e pelo professor Isak Kluglianskas. Uma mudança estrutural em uma peça para automóveis, um virabrequim, feito por uma equipe brasileira da ThyssenKrupp , aumentou a vida útil da peça e reduziu o uso de combustível do carro. Na subsidiária brasileira da Magneti Marelli, empresa do grupo Fiat, criou-se um sistema que elimina o tanque de gasolina dos carros flex. A tecnologia, que já está sendo exportada para os Estados Unidos e Europa, reduz as emissões de poluentes.

Foi também a Magneti Marelli que desenvolveu e patenteou outra tecnologia relacionada a motores flex, dessa vez em aviões. Dados preliminares indicam que o uso de etanol nos aviões pode significar redução de aproximadamente 38% das emissões de CO2 na decolagem, e de perto de 63% das emissões que ocorrem em velocidade de cruzeiro, em relação aos aviões que usam combustível tradicional.

Marcovich lembra que, atualmente, o uso de indicadores sustentáveis é voluntário e as empresas escolhem o que querem divulgar em seus balanços. A tendência mudará, acredita. O professor cita, por exemplo, as novas regras do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar), em vigor desde o início de agosto. De agora em diante, a empresa que se gabar de ser sustentável em sua peça publicitária poderá ser instada a provar o que a torna verde.

Jornalista: Daniela Chiaretti | De São Paulo

(Valor Econômico - 11.08.2011, p.A4)

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Entenda o que é a COP 16!

Aconteceu durante a semana passada, o encontro climático, COP 16, na cidade de Cancun no México. Bastante falado nas mídias sociais, em blogs e televisionado, o evento reunia importantes líderes mundiais para discussões climáticas e novos acordos internaicionais.

Vamos saber mais sobre o evento e quais são seus objetivos?

Separamos um texto batante informativo e completo do site Meu Mundo Sustentável.

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Começou ontem, dia 29 de Novembro, em Cancún no México, a COP16 – 16ª Convenção das Partes das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas. Veja algumas informações sobre o evento, os participantes e as possibilidades de um acordo.

O Evento

(trechos retirados do site Atitude Sustentável)


Segundo os organizadores, todo o evento é realizado com energia eólica. Além disso, o hotel que recebe o encontro foi equipado com painéis solares para geração de energia. Já o transporte dos participantes é feito com 25 veículos movidos a biodiesel, 40 carros elétricos, 17 híbridos, 254 ônibus de ultra-baixo enxofre diesel e bicicletas. O evento vai durar até o dia 10 de dezembro.

Quem está na COP16?

(trechos retirados do site Planeta Sustentável)
Entre nações ricas e emergentes, 193 países de todo o mundo participam da 16ª edição da Conferência, defendo seus diferentes pontos de vista a respeito do combate às mudanças climáticas. Embora todos eles tenham voz durante às negociações, algumas nações são consideradas mais importantes nas discussões, por conta de seus cenários políticos e econômicos.
Responsáveis por cerca de 45% das atuais emissões globais de GEE, os países que integram o G8 são tidos como personagens fundamentais da COP16. São eles, em ordem decrescente de emissão:
  1. EUA (que é a nação que mais polui dentro do grupo, sendo responsável por cerca de 23% das emissões de GEE);
  2. Rússia;
  3. Japão;
  4. Alemanha;
  5. Inglaterra;
  6. Canadá;
  7. Itália;
  8. França (que é o país do G8 que menos emite, sendo responsável, anualmente, por cerca de 2% das liberações de GEE na atmosfera).

As nações que integram o G20 e não fazem parte do G8 também são consideradas importantes nas negociações da Conferência, por serem responsáveis por, aproximadamente, 33% das emissões globais de GEE. São elas, também em ordem decrescente de emissão:
  1. China (que é responsável por 16% das emissões globais);
  2. Índia;
  3. México;
  4. Coréia;
  5. Austrália;
  6. África do Sul;
  7. Brasil;
  8. Espanha;
  9. Indonésia;
  10. Irã;
  11. Polônia;
  12. Nigéria (que emite cerca de 0,5% anualmente).
Juntos, todos esses países são responsáveis por cerca de 78% das emissões globais de GEE e, por isso, são tão importantes nas discussões da COP16 – sendo que as nações que emitem mais dentro de cada grupo, claro, são mais visadas durante as negociações.
Os demais países do mundo emitem o restante – cerca de 22% –, mas nem por isso têm papel insignificante na Conferência. Tudo depende do modo como se posicionam nas salas de negociação. No ano passado, na COP15, por exemplo, o pequeno país-ilha Tuvalu – que corre o risco de desaparecer por culpa das mudanças climáticas, assim como o Kiribati, no Pacífico Sul – teve uma atuação tão presente no evento que chegou a provocar a interrupção das negociações da Conferência por algumas horas.


O ponto mais alto de todas as ilhas de Kiribati é 2 metros

Fongafale, maior ilha do país Tuvalu

Segundo a Chancelaria mexicana, mais de 20 presidentes confirmaram presença, entre eles, vários latino-americanos como o venezuelano, Hugo Chávez, o boliviano, Evo Morales, o equatoriano, Rafael Correa e o colombiano, Juan Manuel Santos, entre outros.

Duas possibilidades

Existem duas possibilidades de acordo. Uma seria uma reedição do Protocolo de Kyoto, com novos prazos e obrigações. Mas continuaria deixando de fora os Estados Unidos. E não imporia reduções aos países emergentes – uma falha, se a China já polui mais do que os EUA em volume absoluto.

A segunda opção, mais provável, é um novo tratado, que incluiria os americanos e países emergentes, como o Brasil. Em 2009, na 15ª Conferência das Partes (COP 15) da Organização das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, em Copenhague, na Dinamarca, os países chegaram o mais perto de um acordo que já houve. Foram algumas grandes conquistas. O esboço estabelece que o planeta precisa limitar a elevação de temperatura a no máximo 2 graus célsius no fim deste século. Determina que, para chegar a esse teto, as nações – sejam pobres, emergentes ou ricas – têm a obrigação de traçar metas concretas de corte de emissões de gases poluentes. Prevê uma mobilização para formar um fundo de até US$ 100 bilhões por ano, de 2012 a 2020. E, como principal avanço, convence os Estados Unidos a entrar no processo – vital para o sucesso de qualquer futuro tratado global.

Conclusão

Nem por isso a COP16 será em vão. Já que não há expectativas em assinar um documento com valor legal, os representantes terão oportunidade de debater com calma questões essenciais. Se isso acontecer, vai facilitar as negociações da COP17 que acontecerá ano que vem na África do Sul. De lá, temos grandes chances de ter um acordo de verdade!

Fontes: